{"id":774,"date":"2023-03-29T21:09:34","date_gmt":"2023-03-30T00:09:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.kalmar.com.br\/?p=774"},"modified":"2023-03-29T21:09:34","modified_gmt":"2023-03-30T00:09:34","slug":"aos-23-orfa-ela-se-viu-com-uma-empresa-para-tocar-sem-chance-de-retroceder-ela-venceu-o-medo-e-foi-adiante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.kalmar.com.br\/?p=774","title":{"rendered":"Aos 23, \u00f3rf\u00e3, ela se viu com uma empresa para tocar. Sem chance de retroceder, ela venceu o medo e foi adiante"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/projetodraft.com\/draft\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Lorena-855x570.jpg\" alt=\"Lorena Kreuger: \u201cQuando o destino levou meu pai, e me jogou o neg\u00f3cio da fam\u00edlia no colo, a \u00fanica certeza que eu tinha era de que n\u00e3o tinha a menor ideia do que fazer\u201d (Foto: Claus Lehmann.)\" width=\"855\" height=\"570\"><\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lorena Kreuger: \u201cQuando o destino levou meu pai, e me jogou o neg\u00f3cio da fam\u00edlia no colo, a \u00fanica certeza que eu tinha era de que n\u00e3o tinha a menor ideia do que fazer\u201d (Foto: Claus Lehmann.)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 sete anos, meu pai, Lars Kreuger, perdeu a batalha que lutou por longos 30 meses contra um c\u00e2ncer. Ele nos deixou em 2008. Tinha 54 anos, e era um pai e um empres\u00e1rio dedicado \u2013 tocava h\u00e1 26 anos o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.kalmar.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">estaleiro Kalmar<\/a>, fundado por meu av\u00f4, Erik Kreuger, em 1982. Eu tinha 23 anos e estava no \u00faltimo ano da faculdade de Design Industrial, sem muita ideia do que faria com minha vida e minha carreira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A perda de meu pai foi um baque para a fam\u00edlia e para a empresa. E para mim tamb\u00e9m. Como na maioria dos casos de c\u00e2ncer, no entanto, a dor \u00e9 dilu\u00edda e assimilada ao longo de um per\u00edodo de tempo, a partir de quando a gente come\u00e7a a aceitar que a pessoa n\u00e3o estar\u00e1 conosco por muito mais tempo. No nosso caso, conseguimos nos preparar espiritualmente para a partida de meu pai. Mesmo assim, foi dif\u00edcil saber o que fazer, tanto no plano pessoal quanto no plano profissional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estaleiro Kalmar sempre foi reconhecido no Brasil inteiro pelo seu trabalho artesanal na constru\u00e7\u00e3o de embarca\u00e7\u00f5es de lazer em madeira. A empresa ganhou fama por trabalhar com o m\u00e9todo de marcenaria naval moderna com alto padr\u00e3o de acabamento \u2013 um trabalho artesanal, feito a m\u00e3o, por mestres. Com o passar do tempo, a empresa ganhou reconhecimento por manter a qualidade de seus servi\u00e7os e por n\u00e3o ceder \u00e0s press\u00f5es do mercado n\u00e1utico, com a presen\u00e7a cada vez maior de materiais comp\u00f3sitos e embarca\u00e7\u00f5es fabricadas em s\u00e9rie, de custo muito menor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00f3 foi poss\u00edvel manter a nossa arte viva devido ao bom trabalho desenvolvido por um time leal, competente e comprometido. Esse foi um dos legados de meu pai. Depois de 26 anos \u00e0 frente da Kalmar, ele nos deixava como heran\u00e7a uma empresa forte e saud\u00e1vel, com reputa\u00e7\u00e3o e mercado. No aspecto administrativo, no entanto, era preciso evoluir. Ou nossa sobreviv\u00eancia poderia ficar amea\u00e7ada. Em meio \u00e0s exig\u00eancias de monografia, projeto final e est\u00e1gio, decidi que iria assumir a empresa, e que me dedicaria a ela integralmente ap\u00f3s a minha gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estaleiro Kalmar foi fundado dois anos antes de eu nascer, na cidade de Itaja\u00ed, no litoral de Santa Catarina, onde sempre morei. Quando passei no vestibular, me mudei pra Florian\u00f3polis e fiquei l\u00e1 por 6 anos. Fui criada no mar. Sempre morei a menos de duas quadras da praia, e desde muito pequena convivo com o sabor da \u00e1gua salgada nos l\u00e1bios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em fam\u00edlia, nosso tempo livre era dedicado a velejar, surfar, conhecer novas praias, de forma que a constru\u00e7\u00e3o de barcos era mais um elo que nos ligava ao mar \u2013 a nossa paix\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas eu nunca cheguei a trabalhar com meu pai. Sempre fui orientada a me dedicar integralmente aos estudos enquanto essa fosse a minha profiss\u00e3o \u2013 estudante. A morte de meu pai acelerou uma s\u00e9rie de processos e decis\u00f5es. Decidi que iria assumir a empresa. Um desafio completamente novo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o cogit\u00e1vamos vender a empresa. Talvez houvesse outra solu\u00e7\u00e3o, mas eu ca\u00ed dentro antes de elucubrarmos muito. Uns quatro meses depois de meu pai morrer, tive uma conversa com a minha m\u00e3e, que tocou a empresa nos primeiros meses. Ela comentou comigo que n\u00e3o iria assumir o neg\u00f3cio \u2013 ela tem uma carreira brilhante na \u00e1rea acad\u00eamica da sa\u00fade. Concordei com ela. E disse que assumiria.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Meu av\u00f4 havia morrido em 2001, aos 90 anos. Minha irm\u00e3 estava trilhando carreira na \u00e1rea de fotografia de cinema. Eu era a \u00fanica que tinha perfil para o cargo. Meu pai era muito simb\u00f3lico \u2013 era inclusive chamado de \u201cpai\u201d pelos funcion\u00e1rios. A Kalmar tinha que ficar conosco. A empresa era da fam\u00edlia e a fam\u00edlia me apoiou.<\/h4>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meu primeiro passo foi redirecionar a minha monografia, ainda em est\u00e1gio de defini\u00e7\u00e3o de tema, para algo que envolvesse a empresa, para que eu pudesse resolver duas coisas de uma vez: concluir o curso e aprender sobre o que seria o meu trabalho dali a m\u00edseros seis meses. Havia 15 funcion\u00e1rios e cinco projetos esperando por mim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse meio tempo, o Kalmar foi seguindo no embalo. T\u00ednhamos uma equipe preparada para tocar a empresa sem meu pai no curto prazo, administrando as obras em andamento, mantendo o fluxo de caixa e a rotina da empresa. Eu deveria entrar em cena para fechar novos neg\u00f3cios e ser a nova diretora, a terceira gera\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia \u00e0 frente do neg\u00f3cio, confirmando para o mercado que o Kalmar se manteria vivo, operando como sempre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos meses antes de me formar, me envolvi em alguns contatos comerciais e passei a frequentar o escrit\u00f3rio, fazendo o trajeto Itaja\u00ed\/Floripa mais vezes do que de costume. No primeiro ano sem meu pai, o Kalmar conseguiu se manter. E eu me preparei como pude para assumir o comando da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2009, passei a tocar oficialmente o neg\u00f3cio, com a clara no\u00e7\u00e3o de que precisaria de tempo para me adaptar e para aprender. A \u00fanica certeza que eu tinha era de que n\u00e3o sabia o que estava fazendo. N\u00e3o tem como negar: eu n\u00e3o fazia ideia de onde estava me metendo. Mas tinha plena consci\u00eancia disso. E tamb\u00e9m n\u00e3o tinha muita escolha. Era respirar fundo e seguir adiante. Uns anos depois, um professor me explicou que isso tem at\u00e9 nome, se chama \u201cignor\u00e2ncia consciente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Desde ent\u00e3o, um sentimento se criou dentro de mim (e talvez os nascidos em janeiro me entendam bem): o Kalmar virou a minha miss\u00e3o \u2013 e se \u00e9 para fazer, vai ser com&nbsp;<em>sangue noz\u00f3io<\/em>. Levo tudo muito a s\u00e9rio. Me comprometo com as responsabilidades desde muito cedo. E o que poderia ser mais s\u00e9rio, que responsabilidade poderia ser maior do que tocar a empresa, com um quarto de s\u00e9culo de sucesso, fundada por meu pai e por meu av\u00f4? Embarquei e ajustei as velas.<\/h4>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De l\u00e1 at\u00e9 hoje, sinto que naveguei por muitos mares a bordo do Kalmar. Uma travessia ousada. Tenho certeza de que n\u00e3o naufraguei porque meu pai cal\u00e7ou a empresa numa base s\u00f3lida: uma equipe, que oscila entre 15 e 20 talentos, dependendo da demanda, que est\u00e1 conosco h\u00e1 muito tempo e que me receberam com muito respeito. No in\u00edcio, me sentia intimidada \u2013 como liderar gente que sabia do meu neg\u00f3cio muito mais do que eu?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante o primeiro ano, foquei em absorver tudo o que podia. Aos poucos comecei a assumir as fun\u00e7\u00f5es comerciais, de atendimento a clientes e de apresenta\u00e7\u00e3o de or\u00e7amentos. Era interessante ouvir dos outros coisas que meu pai costumava dizer: \u201cquem tem que vender o barco \u00e9 o dono do estaleiro\u201d, referindo-se \u00e0 decis\u00e3o de termos um representante ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu tentava me envolver ao m\u00e1ximo com a produ\u00e7\u00e3o dos barcos e com as reformas em si, mas sentia que aquela parte do neg\u00f3cio estava em boas m\u00e3os. Ent\u00e3o trilhei o caminho da lideran\u00e7a e da estrat\u00e9gia, mais do que do aprendizado pr\u00e1tico da fabrica\u00e7\u00e3o. Meu pai sabia fazer um barco com as pr\u00f3prias m\u00e3os, eu n\u00e3o. Comecei a perceber que n\u00e3o precisava tentar ser igual a ele para ser relevante ao neg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conseguimos manter a nossa credibilidade e fomos sobrevivendo a essa transi\u00e7\u00e3o precoce. Depois de uns meses, comecei a sentir para valer o peso que pelos pr\u00f3ximos seis anos eu carregaria nas costas: ser respons\u00e1vel por tudo \u2013 e por todos. Se o prazo estiver errado, se o or\u00e7amento for mal elaborado, se o servi\u00e7o ficar mal feito, se n\u00e3o houver dinheiro em caixa, se o telhado n\u00e3o estiver firme, se o estoque n\u00e3o estiver bem controlado, se nos faltar servi\u00e7o m\u00eas que vem, se os funcion\u00e1rios estiverem insatisfeitos, se estivermos errando na divulga\u00e7\u00e3o. Era tudo comigo. Todos os \u201cse\u201d. Quando voc\u00ea \u00e9 o dono, mesmo quando voc\u00ea delega para gente de confian\u00e7a, como eu tinha ao meu redor, a responsabilidade final \u00e9 sua.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<h4 class=\"wp-block-heading\">\u00c0s vezes me sentia no comando de um veleiro em mar aberto, vendo a tempestade se formar no horizonte, um mau tempo muito mais severo do que aquele que em tese poder\u00edamos suportar. Ent\u00e3o eu s\u00f3 firmava as m\u00e3os no leme. E tocava adiante. Porque est\u00e1vamos em ponto de n\u00e3o-retorno. E se s\u00f3 pod\u00edamos contar comigo era comigo que contar\u00edamos.<\/h4>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A conviv\u00eancia com essa press\u00e3o impactou minha sa\u00fade. Sempre fui uma pessoa ansiosa. Meu comprometimento me fazia querer controlar tudo, para que nada sa\u00edsse errado. Compreendia que aquele esfor\u00e7o todo era apenas a minha miss\u00e3o \u2013 algo que eu&nbsp;<em>tinha<\/em>&nbsp;que desempenhar. Isso, \u00e9 claro, gerou um desequil\u00edbrio geral. Vivi picos de estresse e ansiedade, em que tinha o sono constantemente interrompido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Era perseguida por calafrios sempre que repassava mentalmente algumas situa\u00e7\u00f5es mais desafiadoras. E n\u00e3o conseguia me desligar dos problemas da empresa. Sentia muito medo. De falhar. De tudo que podia n\u00e3o dar certo. Sofria de enxaquecas. \u00c0s vezes sentia sono nas horas erradas \u2013 era uma esp\u00e9cie de escapismo. Muitas vezes fantasiava com ser apenas uma estagi\u00e1ria ou uma analista j\u00fanior. Foi assim, na porrada, digladiando comigo mesma e vivendo a vida como ela \u00e9, que deixei de ser uma menina para me tornar uma mulher. E que deixei de ser a \u201cfilha do dono\u201d para me transformar em \u201cdona\u201d \u2013 com tudo de bom e de ruim que isso acarreta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em paralelo ao vendaval de emo\u00e7\u00f5es dentro de mim, havia projetos em andamento, obriga\u00e7\u00f5es trabalhistas a honrar, burocracias a cumprir. A roda estava girando e aquela era a minha profiss\u00e3o. Era aquilo que eu tinha que fazer. E era aquilo que eu queria fazer. Mesmo sem o conforto de um emprego com menos responsabilidades. Mesmo tendo que aprender a lidar com todas aquelas ang\u00fastias. Manter o Kalmar vivo significava para mim, de algum modo, manter meu pai vivo. Isso era forte demais. Mais forte do que qualquer problema que eu pudesse ter.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pensei em procurar um psic\u00f3logo para me ajudar a lidar com aqueles sentimentos. Acabei tentando a acupuntura. O que me fez muito bem. As agulhas regularam minhas crises de ansiedade, colocaram meu sono no lugar \u2013 de modo que at\u00e9 hoje visito meu terapeuta duas ou tr\u00eas vezes por anos para apertar uns parafusos, como ele gosta de dizer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um tempo depois, ficou claro para mim que eu estava me afastando de coisas que amava fazer: os esportes no mar e as atividades ao ar livre. Durante muitos anos, competi na vela, surfei e frequentemente estava procurando novas trilhas para fazer.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<h4 class=\"wp-block-heading\">\u00c9 um erro comum quando a gente entra de cabe\u00e7a num projeto empresarial \u2013 deixamos de dar prioridade a coisas essenciais, que nos fazem bem, em nome de dedicar cada vez mais tempo e energias ao trabalho. Em 2013, encarei uma aventura a bordo de um veleiro. E isso resultou no meu casamento, em 2015. Se eu n\u00e3o tivesse me permitido aquela descompress\u00e3o, n\u00e3o teria encontrado meu marido. S\u00f3 isso.<\/h4>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m em 2013, apostando ainda mais na busca do equil\u00edbrio, incorporei o Yoga \u00e0 minha rotina. Foi uma b\u00ean\u00e7\u00e3o em minha vida. Aprendi a identificar e a separar muito bem a Lorena e a Lorena do Kalmar. S\u00e3o dois papeis bem distintos, que durante muito tempo eu tratei como uma coisa s\u00f3. Isso tornou meu dia-a-dia mais harm\u00f4nico e me permanecer firme, mas confort\u00e1vel, dentro do mesmo esfor\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maturidade que fui ganhando aos poucos se transformou em ensinamentos para toda a vida. Aprendi a lidar com as adversidades, n\u00e3o entrar em p\u00e2nico e a conviver com o surgimento constante de problemas. A vida \u00e9 essa \u2013 resolver problemas. Sem desespero.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Passei a apreciar muito as fases boas, pois elas n\u00e3o durariam para sempre. Aprendi o significado de \u201cn\u00e3o desistir nunca\u201d. Insistir \u00e9 mandat\u00f3rio. Parei de alimentar a raiva e de me sentir frustrada, pois percebi que esse tipo de rea\u00e7\u00e3o consome uma energia gigantesca, gera sensa\u00e7\u00f5es p\u00e9ssimas e n\u00e3o serve pra nada, al\u00e9m de fazer um tremendo mal \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aprendi que tudo se resolve com calma, bom senso, equil\u00edbrio e tempo. Descobri o pre\u00e7o de se administrar uma empresa. Mas tamb\u00e9m saquei que nada vem de gra\u00e7a. E que tudo tem um pre\u00e7o. Especialmente aquelas coisas que mais queremos. Quando a situa\u00e7\u00e3o se mostra dif\u00edcil, a primeira coisa que fa\u00e7o \u00e9 perguntar: \u201cOK, como resolvemos?\u201d Ou ent\u00e3o: \u201cQue outra solu\u00e7\u00e3o podemos dar?\u201d Culpar governo, mercado, economia, o sistema, ou a n\u00f3s mesmos, \u00e9 pura perda de tempo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Como no comando de um veleiro, temos que estar atentos a todos os sinais: as nuvens, as ondas, a press\u00e3o atmosf\u00e9rica, o vento, para calcular o pr\u00f3ximo movimento em nossa trajet\u00f3ria. Vaiar a tempestade n\u00e3o resolve a tempestade. Se esconder dela tamb\u00e9m n\u00e3o. \u00c9 preciso abrir os olhos, estar atento, pois a verdade \u00e9 que as coisas, na maioria das vezes, acontecem da forma mais natural poss\u00edvel. E contra isso n\u00e3o podemos lutar.<\/h4>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em sete anos de dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 empresa, investi na cria\u00e7\u00e3o de um departamento de marketing, que alinhou toda a nossa estrat\u00e9gia de vendas e comunica\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m desenvolvemos um trabalho no planejamento estrat\u00e9gico da empresa, usando todas as metodologias mais recentes dessa disciplina. Orientei o departamento de produ\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o de novos m\u00e9todos de controle de horas de trabalho aplicados \u00e0 marcenaria \u2013 precisamos tornar o artesanal mais gerenci\u00e1vel, sem perder a ess\u00eancia da nossa arte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m reforcei o RH, para garantir apoio \u00e0 equipe, n\u00e3o economizando esfor\u00e7os para criar um ambiente de trabalho gentil, e preservando o clima familiar da empresa. Criei uma marca de m\u00f3veis residenciais na expectativa de diversificar nossa atua\u00e7\u00e3o no mercado, e tamb\u00e9m ampliei e formalizei uma linha de produtos esportivos. Em 2014, completei minha p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em gest\u00e3o empresarial, porque nunca d\u00e1 para parar de aprender. Ainda mais eu, que estou s\u00f3 come\u00e7ando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, com 30 anos, vivo um momento de alegria pelas decis\u00f5es que tomei. Consigo reviver as curvas da estrada que se ofereciam \u00e0 derrapagem e estou feliz com o sentimento de que me sa\u00ed bem e de que tudo valeu a pena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tenho muitas ideias novas. E perspectivas de trabalho um pouco diferentes para o futuro pr\u00f3ximo. Estou na busca de algumas realiza\u00e7\u00f5es pessoais que nestes ficaram hibernando desde que assumi a Kalmar. Sou uma pessoa de fazer, adoro planejar e colocar coisas em pr\u00e1tica. Essa trajet\u00f3ria at\u00e9 aqui foi um treinamento para dominar o medo do futuro. Hoje, me sinto preparada para enfrentar qualquer aventura que o mundo colocar \u00e0 minha frente. Ali\u00e1s, estou muito curiosa para saber o que vai ser!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Lorena Kreuger<\/strong>, 30, \u00e9 diretora do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.kalmar.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">estaleiro Kalmar<\/a>. Voc\u00ea pode compartilhar mais de suas hist\u00f3rias e reflex\u00f5es em seu&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.lorenakreuger.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">site<\/a>.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Texto publicado originalmente no site do&nbsp;<a href=\"http:\/\/projetodraft.com\/aos-23-orfa-ela-se-viu-com-uma-empresa-para-tocar-sem-chance-de-retroceder-ela-venceu-o-medo-e-foi-adiante\/#sthash.xV6tguyo.dpuf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Projeto Draft<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lorena Kreuger: \u201cQuando o destino levou meu pai, e me jogou o neg\u00f3cio da fam\u00edlia no colo, a \u00fanica certeza que eu tinha era de que<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-774","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo-nautico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.kalmar.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/774","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.kalmar.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.kalmar.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.kalmar.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.kalmar.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=774"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.kalmar.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/774\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":775,"href":"https:\/\/www.kalmar.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/774\/revisions\/775"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.kalmar.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=774"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.kalmar.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=774"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.kalmar.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=774"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}